quinta-feira, 29 de abril de 2010

Como me tornei estúpido


Fico simplesmente indignada com algumas notícias e aí me canso de remar contra a maré. Vem uma vontade de mostrar que "um filho teu foge à luta, Brasil".

Já vi de tudo pela mundo das notícias, postagens em murais nas redes sociais. Vejo gente bem informada embarcando na onda.
Vejo pessoas sozinhas e esquecidas na intimidade reinventando uma versão  tupiniquim  Sartre-Beauvoir no quesito relacionamento, manifestos e protestos ao estilo Dom Quixote no campo da política, e por aí a fila não acaba.
Tanta cafonice, breguice, ignorância e estupidez merecem um livro à altura da minha indignação.
Então, descubro que não estou sozinha e que alguns inconformados escreveram livros. Ah, que alívio!!!
O livro "Como me tornei estúpido" de Martin Page é um deles.

Antoine, o protagonista do romance, é um rapaz como muitos outros.

Um belo dia, anuncia a seus amigos mais queridos um plano perfeito: investir na idiotice como forma de sobrevivência... Antoine está convencido de que só a estupidez lhe permitirá ser plenamente aceito pela sociedade em que vive.



"Ob-la-di ob-la-da life goes on bra." The Beatles "( Álbum Ob-la-di ob-la-da)

"Hoje, aos vinte e cinco, na expectativa de uma vida mais tranquila, Antoine tomou a decisão de cobrir o cérebro com o manto da estupidez".

Enfim, um livro leve, fácil de ler, enganosamente simples, e rico, repleto de minuciosas citações e piadas ao pé do ouvido. Um livro feito sob medida para todos os Antoines que existem por aí.
Enquanto escrevo, escuto "Obla Di Obla Da" com os Beatles
 
Link, música The Beatles, Obla Di:


Até a próxima!
..

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A idade de ser feliz




A Idade de Ser Feliz
(Geraldo E.Souza)


Existe somente uma idade para a gente ser feliz
somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-los
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos

Uma só idade para a gente se encantar com a vida
e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo nem culpa de sentir prazer

Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida
à nossa própria imagem e semelhança
e sorrir e cantar e brincar e dançar
e vestir-se com todas as cores
e entregar-se a todos os amores
experimentando a vida em todos os seus sabores
sem preconceito ou pudor

Tempo de entusiasmo e de coragem
em que todo desafio é mais um convite à luta
que a gente enfrenta com toda a disposição de tentar algo novo,
de novo e de novo, e quantas vezes for preciso

Essa idade, tão fugaz na vida da gente,
chama-se presente,
e tem apenas a duração do instante que passa ...
... doce pássaro do aqui e agora

que quando se dá por ele já partiu para nunca mais!


Passarim - Tom Jobim no vídeo abaixo:



segunda-feira, 12 de abril de 2010

Velha infância



Termino a malhação e enquanto aguardo a moça da lanchonete preparar o meu suco, começo a folhear uma revista. Leio a crônica da Danuza Leão “ Um quintal” que me conduz a uma viagem à minha infância, ao quintal da casa onde morávamos eu, meus pais e meus 4 irmãos.
Goiabeiras, mangueiras, abacateiros e cajueiros fizeram parte dessa história. Vivíamos subindo nos galhos das árvores para apanhar frutas e para deixar meus pais malucos com as travessuras que eu e meus irmãos aprontávamos.

Minha mãe conta que nossas roupas eram todas manchadas e não havia sabão que tirasse as nódoas provocadas pelas frutas.

Alguns casos engraçados e quase trágicos também aconteceram. Num belo dia, eu e minha irmã pulamos o muro casa do vizinho. Quando voltamos pro nosso quintal os tijolos soltos do muro cairam todos em nossas cabeças.
Outra vez, num aniversário da família, a criançada toda subiu na goiabeira e a coitadinha não suportou tanto peso em cima dos seus galhos. Tombou pro lado e caímos todos no chão.
Nossos pais assistiram em pânico a cena quando a goiabeira se quebrou.

Tantas boas lembranças guardadas no baú da minha “velha infância”.

Hoje as crianças não brincam mais de apanhar frutas nas árvores. Algumas não conhecem e trocaram os sabores do quintal por hambúrgueres e milk shakes.
Em Brasília ainda podemos resgatar um pouco deste velho e saudável costume: apanhar frutas no pé.
Quantas árvores frutíferas foram plantadas e que cidade abençoada!

Estou aqui ouvindo “Velha Infância” (Tribalistas) e Redescobrir (Elis Regina) e publico abaixo a crônica de Danuza Leão.

Os links das músicas estão abaixo também.




Um quintal
 
Quando uma pessoa começa a melhorar de vida, pensa logo em comprar uma boa casa. E o que é uma boa casa? É preciso um jardim e uma piscina, imaginam os pais. Eles querem para as crianças uma infância saudável, com confortos que nunca tiveram, mas não pensam no principal: um quintal. Um quintal não precisa ser grande, e o chão deve ser de terra batida. Nele deve haver algumas árvores que não pareçam ter sido plantadas, mas sempre existido. Um abacateiro e uma goiabeira, de goiaba vermelha, são fundamentais. No fundo, um galinheiro tosco, com uma porta quebrada, para que as três ou quatro galinhas possam correr quando alguém quiser pegá-las. Nenhum computador levará uma criança ao deslumbramento que ela terá ao encontrar um ovo e segurá-lo, ainda quentinho. É o mistério da vida nas mãos dela, mais absoluto e mais simples do que qualquer livro de filosofia.
Um dia, a cozinheira avisa que vai matar uma galinha para o molho pardo. Os meninos pedem para ver a cena trágica; a mãe não quer, mas a empregada, acostumada, com o facão na mão, facilita. Se a galinha tiver dentro da barriga aquele monte de ovinhos, aí a lição de morte – e de vida – será ainda mais completa. E mais lições serão aprendidas quando alguém sugerir fazer uma peteca com as penas mais duras e algumas palhas de milho. Mas será que alguém sabe do que estou falando?
Voltando: esse quintal deve ser meio abandonado, mas muito limpo; duas vezes por dia a empregada, cantando bem alto, dá uma varrida. É importante também que haja um tanque para lavar o pé de alguma criança quando ela pisar descalça numa porcaria, e um varal com pregadores de roupa de madeira. Nesse lugar, não vai ter horta nem pomar organizado. Em compensação, é bom que exista do outro lado do muro uma enorme mangueira para que se possa praticar o melhor crime do mundo: roubar as frutas do vizinho. Nos fundos de um quintal, deve haver também uma touceira de bananeiras ou bambus e, claro, um adulto dizendo sempre para tomar cuidado, pois ali pode ter uma cobra. Não há infância que se preze sem medo de cobra. Quando as goiabas começam a crescer, fica todo mundo de olho até a primeira delas estar no ponto para ser arrancada e mordida ali mesmo, sem lavar. E que sensação terrível quando se vê o bicho da goiaba se mexendo. Aí, sem que ninguém precise dizer nada, você começa a aprender que a vida é assim: ou se compra uma goiaba bonita, mas sem gosto, ou se espera com paciência ela amadurecer no pé até desfrutar o supremo prazer de dar aquela dentada – com direito a bicho e tudo.
Mas o tempo voa. De repente você se sente só, abre o caderno de telefones e percebe sua pouca afinidade com os nomes que estão lá, que tem vivido uma vida que não tem nada a ver e começa a procurar um sentido para as coisas. Não encontra resposta, claro, mas um dia está no trânsito, vê um terreno baldio, se lembra daquele quintal no qual não pensa há anos e percebe que essa é a lembrança mais importante e mais feliz de sua vida. E passa a olhar o mundo com a superioridade de quem tem um tesouro guardado dentro do peito, mas ninguém sabe.

Danuza Leão é cronista, autora de vários livros, entre os quais Na Sala com Danuza 2 (ARX) e Quase Tudo (Cia. das Letras)

Redescobrir - Elis Regina


segunda-feira, 5 de abril de 2010

Onqotô, proncovô, doncosô


(Imagens: Carol - minha filha - nas trilhas de Diamantina)

Costumo evitar, sempre que posso, confinamentos do tipo cruzeiros marítimos, resorts e todo tipo de passeio que me impeça de descobrir coisas novas em lugares que tem uma história pra contar.
Pode ser que algum dia, quando me cansar de explorar novos lugares, eu mude de idéia. Mas enquanto tiver pique, quero mesmo é "bater perna por aí".
Investiguei minhas memórias e descobri que tenho uma fantasia de juventude mal-resolvida.
Na verdade, queria ter um jipe e as vezes tenho uma vontade mais sofisticada, quem sabe um carro conversível. Mas a vontade original mesmo era ter um jipe...

As recordações vão chegando e me lembro de quando morava em Sete Lagoas e tinhamos um grupo de turismo ecológico chamado Novo Tempo. Fazíamos trilhas para a Serra do Cipó e ficavamos hospedados na Fazenda Monjolos. Os proprietários eram muito agradáveis, Sr. Osvaldo e D. Rosélia, um casal de médicos aposentados curtindo a natureza. Os lugares eram e ainda são, muito lindos, com trilhas e cahoeiras maravilhosas.

A gente sai de Minas, mas Minas não sai da gente não.
E hoje fiquei assim: cansada dos delírios e discursos pós-modernos e com muita vontade curtir minha mineirice em paz...

Acho que Tonhinho Horta definiu bem nessa música abaixo, o espírito de mineiro aventureiro. Manuel, o jipe do Toninho Horta. Manuel, o audaz.

Manuel, o Audaz
Lô Borges/Toninho Horta)

Se já nem sei o meu nome
Se eu já não sei parar
Viajar é mais, eu vejo mais
A rua, luz, estrada, pó
O jipe amarelou

Manuel, o audaz
Manuel, o audaz
Manuel, o audaz
Vamos lá viajar

E no ar livre, corpo livre
Aprender ou mais tentar

Manuel, o audaz
Manuel, o audaz
Iremos tentar
Vamos aprender, vamos lá

Manuel, o audaz
Vamos lá viajar

E no ar livre, corpo livre
Aprender ou mais tentar

Manuel, o audaz
Manuel, o audaz
Iremos tentar
Vamos aprender, vamos lá

Para ouvir, acesse;