( No trem pra Viena, saindo de Innsbruck, passando por Salzburgo - fevereiro/2018)
"Chegou ao meio da vida e sentou-se para tomar um pouco de ar.
Não sabia explicar.
Não era cansaço, nem estava perdida. Notou-se inteira pela primeira vez em todos esses anos.
Parou ali, entre os dois lados da estrada e ficou observando as margens da sua história, a estrada da vida ficando fininha, calando-se de tão longe que ia.
Estava em paz observando a menina que foi graciosa, cheia de vida.
Estava olhando para si mesma e nem notou.
Ali, naquele instante estava recebendo um presente.
Desembrulhava silenciosamente a sabedoria que tanto pediu para ter mais.
Quando a mulher chega à metade da estrada da vida, começa lentamente a ralentar o passo.
Já notou como tem gente que adora conturbar a própria rotina, alimentar o próprio caos? Ela não.
Não mais.
Deixa que passem, deixa que corram, a vida é curta demais para acelerar qualquer coisa.
Ela quer sentir tudo com as pontas dos dedos, ela quer notar o que não viu da primeira vez. Senhora do seu próprio tempo.
Percebeu, à metade da vida, que caminhou com elegância, que viveu com verdade, que guiou a própria sombra na estrada em direção ao amor.
E como amou! Amor por si, pelos outros, amou em dobro, amou sozinha, amou amar.
A mulher ao centro da vida traz a leveza que os anos teceram, pacientemente.
Escuta bem mais, coloca a doçura à frente das palavras, guarda as pessoas com preciosismo.
Aquela mulher já perdeu pessoas demais.
Ao meio da estrada, ela já não dorme tanto, mas sonha bem mais.
Sonha pelo simples exercício de sonhar.
Sonha porque notou que é o sonho que tempera a vida.
Aprendeu a parar de ficar encarando as linhas do corpo.
Seu espírito teso, seu riso aberto, sua fé gigante não têm rugas, nem celulite, sem encanação.
Descobriu que o segredo é prestar atenção no melhor das coisas, nas qualidades das pessoas, nas belas costas que tem e deixá-las ao alcance da vista dos outros.
Sentada ali, ao centro da própria vida, decidiu seguir um pouco mais.
Há mais estrada para caminhar, mais certezas para perder, mais paixão para trilhar.
Não há dádiva maior do que compreender-se, que encontrar conforto para morar em si mesmo, que perdoar-se de dentro pra fora. Ao centro da vida ela descobriu que a gente não se acaba, a gente vai mesmo é se cabendo, a cada ano um pouco mais."
Na minha conversa com as palavras, busquei, nas minhas reflexões, escritores que trouxeram, com beleza e sabedoria, a inquietação do ser humano a respeito do tempo x idade.
A imortalidade, nos versos de Milan Kundera:
"Existe uma parte de todos nós que vive fora do tempo. Talvez só tomemos consciência da nossa idade em momentos excepcionais, na maioria do tempo, não temos idade." E então, coloquei minha dança em versos. O Poema Sou Eu Edméa Oliveira
(Imagem editada pela querida amiga Karla Valverde)
O poema sou eu
Nunca dou
importância e não tenho curiosidade em saber a idade das pessoas.
Talvez seja
porque se me perguntarem a minha idade, eu não saberei dizer. Meu corpo de bebê
foi fecundado e trazido ao mundo por meus pais e desde então, cresci.
Mas, hoje, quando
me vejo, não sei dizer quantos anos eu realmente possuo.
Perdi a conta de
quantas vezes eu morri e quantas vezes eu renasci. Já me reinventei, já enterrei
vivos tantos pedaços de mim, já ressuscitei também tantos outros...
E então, depois de tanta ânsia em me recriar, eu
fiquei assim - um mosaico de vidas e mortes - vibrando intensamente a vida que
teima e pulsa em mim.
Mar Português Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar! Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu. Fernando Pessoa No link abaixo, a música Vem Ver ( o mar, ai como é bom...) Tamy
( O mar parece um grande caldeirão de sopa - Mafalda )
O filósofo Michel Onfray divide toda viagem em três tempos.
O tempo ascendente do desejo e dos preparativos da viagem, o tempo excitante da descoberta do novo e do desconhecido e o tempo descendente do retorno ao lar.
A viagem não existiria sem o retorno às raízes e ao lugar seguro. A pessoa sem endereço fixo não é viajante, e sim errante. Nós precisamos ter um ponto fixo para, de tempos em tempos, nos tornarmos viajantes. Somos viajantes porque sabemos que temos nesta terra um lugar onde retornar com as malas e as lembranças.
Após a viagem e seu movimento frenético, após o uso máximo das nossas capacidades físicas, intelectuais e emotivas, precisamos do retorno e do repouso para recuperararmos as forças e energias gastas.
Precisamos reencontrar nossa cama, nossos livros, papéis e canetas, nosso cotidiano ritmado e organizado. Após os sobressaltos, alegrias e surpresas do percurso, nossa casa se torna um desejo manifesto.
Mas quando voltamos, já não somos os mesmos. Porque retornar significa voltar de algum lugar, com outro estado de espírito. O tempo excitante da viagem é substituído pelo tempo descendente da assimilação lenta de tudo que vimos, provamos, tocamos, sentimos.
No tempo descendente do retorno, durante o repouso do cansaço da viagem, amadurecemos a experiência . O que descobrimos sobre o estrangeiro? E o mais importante, o que descobrimos sobre nós mesmos?
Nesta hora organizamos nossas lembranças. Qual foi o melhor momento? Qual a pior lembrança? Quais as comparações entre os lugares percorridos e nosso quotidiano familiar? Quais nossas certezas e incertezas.
O retorno, para nós, é a garantia de que daqui a pouco partiremos de novo.
Onfray, Michel. Théorie du voyage. Poétique de la géographie, Le Livre de Poche
Sempre gostei de recolhimento e confesso que muitas vezes a sensação de desajuste me acompanhou por longos períodos. Assistindo a palestra da escritora Susan Cain me identifiquei com algumas citações.
Publico algumas frases que trazem o assunto em questão: ser introvertido.
A escritora francesa Anais Nin escreveu:
"Our culture made a virtue of living only as extroverts. We discourage the inner journey, the quest for a center. So we lost our center and have to find it again.
Plantar é um ato solitário, colher é um ato a ser compartilhado.
Em uma cultura onde ser sociável e extrovertido é valorizado como nunca, pode ser difícil, até vergonhoso, ser introvertido. Mas, como Susan Cain argumenta nesta apaixonante palestra, introvertidos trazem ao mundo habilidades e talentos extraordinários e devem ser encorajados e reconhecidos.
(escolhi esta foto porque ela exprime harmonia, estética, zelo, ordem, organização, cuidado)
TEORIA DAS JANELAS PARTIDAS
Em 1969, na Universidade de Stanford (EUA), o Prof. Phillip Zimbardo realizou uma experiência de psicologia social. Deixou duas viaturas abandonadas na via pública, duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e até cor. Uma deixou em Bronx, na altura uma zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma zona rica e tranquila da Califórnia.
Duas viaturas idênticas abandonadas, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada local.
Resultou que a viatura abandonada em Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas. Perdeu as rodas, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, a viatura abandonada em Palo Alto manteve-se intacta.
É comum atribuir à pobreza as causas de delito.
Atribuição em que coincidem as posições ideológicas mais conservadoras, (da direita e da esquerda). Contudo, a experiência em questão não terminou aí. Quando a viatura abandonada em Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os investigadores partiram um vidro do automóvel de Palo Alto.
O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o de Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre.
Por quê que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso?
Não se trata de pobreza. Evidentemente é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais.
Um vidro partido numa viatura abandonada transmite uma ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação que vai quebrar os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras, como o "vale tudo". Cada novo ataque que a viatura sofre reafirma e multiplica essa ideia, até que a escalada de atos cada vez piores, se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.
Em experiências posteriores (James Q. Wilson e George Kelling), desenvolveram a 'Teoria das Janelas Partidas', a mesma que de um ponto de vista criminalístico conclui que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores.
Se se parte um vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali se gerará o delito.
Se se cometem 'pequenas faltas' (estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar-se um semáforo vermelho) e as mesmas não são sancionadas, então começam as faltas maiores e logo delitos cada vez mais graves. Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pessoas forem adultas.
Se os parques e outros espaços públicos deteriorados são progressivamente abandonados pela maioria das pessoas (que deixa de sair das suas casas por temor a criminalidade) , estes mesmos espaços abandonados pelas pessoas são progressivamente ocupados pelos delinquentes.
A Teoria das Janelas Partidas foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metrô de Nova York, o qual se havia convertido no ponto mais perigoso da cidade. Começou-se por combater as pequenas transgressões: graffitis deteriorando o lugar, sujeira das estacões, alcoolismo entre o público, evasões ao pagamento de passagem, pequenos roubos e desordens. Os resultados foram evidentes. Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metrô um lugar seguro.
Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Partidas e na experiência do metrô, impulsionou uma política de 'Tolerância Zero'.
A estratégia consistia em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à Lei e às normas de convivência urbana. O resultado prático foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova York.
A expressão 'Tolerância Zero' soa a uma espécie de solução autoritária e repressiva, mas o seu conceito principal é muito mais a prevenção e promoção de condições sociais de segurança. Não se trata de linchar o delinquente, nem da prepotência da polícia, de fato, a respeito dos abusos de autoridade deve também aplicar-se a tolerância zero.
Não é tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito. Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana.
Essa é uma teoria interessante e pode ser comprovada em nossa vida diária, seja
em nosso bairro, na vila ou condominio onde vivemos, não só em cidades grandes.
(artigo publicado na página Fikadika Morumbi do facebook em 10.02.2013)
Podemos extrair várias interpretações da teoria que explica porque o ambiente externo provoca alterações em nosso comportamento.
A convivência prolongada em ambientes sujos, desorganizados, sem manutenção e em desordem podem desencadear várias alterações no nosso sistema sensorial.
Lamentável é entender porque mendigos comem lixo, vivem em locais impróprios para seres humanos habitarem. A sujeira, a desordem, os odores interferem no comportamento porque estimulam a perda de acuidade estética, visual, olfativa, auditiva.
Busquemos o belo, a organização, o cumprimento das leis, a ética, a boa convivência.
Para finalizar, Rosa Passos, elegância e estética na voz e repertório:
Hoje passei meu batom vermelho especialmente para subir no pé de jabuticaba, degustar um belo poema que tem sido minha inspiração (o poema O Tempo que Foge - de Ricardo Gondim) e a música Velha e Louca - de Malu Magalhães, os quais publico abaixo.
Tempo que foge! Ricardo Gondim
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não vou mais a workshops onde se ensina como converter milhões usando uma fórmula de poucos pontos. Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana com a proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos parlamentares e regimentos internos. Não gosto de assembléias ordinárias em que as organizações procuram se proteger e perpetuar através de infindáveis detalhes organizacionais.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”, onde “tiramos fatos à limpo”. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral.
Já não tenho tempo para debater vírgulas, detalhes gramaticais sutis, ou sobre as diferentes traduções da Bíblia. Não quero ficar explicando porque gosto da Nova Versão Internacional das Escrituras, só porque há um grupo que a considera herética. Minha resposta será curta e delicada: – Gosto, e ponto final! Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.
Já não tenho tempo para ficar dando explicação aos medianos se estou ou não perdendo a fé, porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes; a voz da Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis, Thomas Mann, Ernest Hemingway e José Lins do Rego.
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a “última hora”; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus. Caminhar perto dessas pessoas nunca será perda de tempo.
(Música Envelhecer - Arnaldo Antunes) Sou fã de Arnaldo Antunes. Recentemente ele esteve aqui em BSB para fazer o show após o lançamento do DVD acústico. Indescritível a beleza do espetáculo. A apresentação, repertório escolhido, tudo impecável, como também a elegância dos músicos. Depois do sucesso do DVD "Lá em casa", Arnaldo Antunes se superou e fez um trabalho melhor ainda. Vale a pena conferir as faixas: Pop Zen, socorro, Envelhecer (imperdível) e todo o DVD. Muito bom. Vou publicar um poema de Alice Ruiz musicado por ele, com o link da música, abaixo.
Socorro Letra: Alice Ruiz socorro, eu não estou sentindo nada. nem medo, nem calor, nem fogo, não vai dar mais pra chorar nem pra rir. socorro, alguma alma, mesmo que penada, me empreste suas penas. já não sinto amor nem dor, já não sinto nada. socorro, alguém me dê um coração, que esse já não bate nem apanha. por favor, uma emoção pequena, qualquer coisa que se sinta, tem tantos sentimentos, deve ter algum que sirva. socorro, alguma rua que me dê sentido, em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada, socorro, eu já não sinto nada.
Para olharmos de frente para nossas limitações, nossas fraquezas e nossos medos é preciso nos despirmos das máscaras. Perder o medo de se expressar, de falar dos sentimentos e até de admitir nossos "medinhos e medões" faz a gente se tornar mais humano e só assim podemos ver o outro com os olhos da alma. Cuidemos do jardim.
Os Cegos Do Castelo Nando Reis Eu não quero mais mentir Usar espinhos Que só causam dor Eu não enxergo mais o inferno Que me atraiu Dos cegos do castelo Me despeço e vou A pé até encontrar Um caminho, um lugar Pro que eu sou... Eu não quero mais dormir De olhos abertos Me esquenta o sol Eu não espero que um revólver Venha explodir Na minha testa se anunciou A pé a fé devagar Foge o destino do azar Que restou... E se você puder me olhar Se você quiser me achar E se você trouxer o seu lar... Eu vou cuidar Eu cuidarei dele Eu vou cuidar Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Do seu jardim... Eu vou cuidar Eu cuidarei muito bem dele Eu vou cuidar Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Eu cuidarei do seu jantar Do céu e do mar E de você e de mim... Eu não quero mais mentir Usar espinhos Que só causam dor Eu não enxergo mais o inferno Que me atraiu Dos cegos do castelo Me despeço e vou A pé até encontrar Um caminho, um lugar E pro que eu sou Oh! Oh! Oh! Oh!... E se você puder me olhar Se você quiser me achar E se você trouxer o seu lar... Eu vou cuidar Eu cuidarei dele Eu vou cuidar Ah! Ah! Ah! Ah! Do seu jardim... Eu vou cuidar Eu cuidarei muito bem dele Eu vou cuidar Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Eu cuidarei do seu jantar Do céu e do mar E de você e de mim Oh! De mim! E você e de mim E de você e de mim...
É proibido ( autor desconhecido) É proibido chorar sem aprender, Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.
É proibido não rir dos problemas Não lutar pelo que se quer, Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade. É proibido não demonstrar amor Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor. É proibido deixar os amigos.
Não tentar compreender o que viveram juntos Chamá-los somente quando necessita deles. É proibido não ser você mesmo diante das pessoas, Fingir que elas não te importam.
Ser gentil só para que se lembrem de você, Esquecer aqueles que gostam de você. É proibido não fazer as coisas por si mesmo, Não crer em Deus e fazer seu destino.
Ter medo da vida e de seus compromissos, Não viver cada dia como se fosse um último suspiro. É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar.
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se desencontraram, Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente. É proibido não tentar compreender as pessoas, Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte. É proibido não criar sua história, Deixar de dar graças a Deus por sua vida.
Não ter um momento para quem necessita de você, Não compreender que o que a vida te dá, também te tira. É proibido não buscar a felicidade.
Não viver sua vida com uma atitude positiva, Não pensar que podemos ser melhores, Não sentir que sem você este mundo não seria igual.
Saber se entregar ao ócio é uma arte. Diminuir a velocidade. Degustar o momento. Escutar o corpo, gingar no ritmo de uma música suave, sentir o vento refrescando a face, viver plenamente o deleite da paz e da serenidade. Adélia Prado traz o verso e eu acrescento um ritmo gostoso de uma música que me fez fechar os olhos e dançar, escutando meu corpo e aceitando meu ritmo.
"Eu quero uma licença de dormir, perdão pra descansar horas a fio, sem ao menos sonhar a leve palha de um pequeno sonho. Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies, a graça de um estado. Semente. Muito mais que raízes. " Adélia Prado
Te convido a ouvir a música abaixo e criar sua dança. Puro ócio e doce deleite:
Inspiração veio de repente, depois de ler algumas postagens e enquanto escuto Queen. Deixo aqui um texto para começar o dia com energia e inquietação. Amor e perseguição “As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas”. Norman Mailer. Copiem. Decorem. Aprendam. Temos a mania de achar que amor é algo que se busca. Buscamos o amor em bares, buscamos o amor na internet, buscamos o amor na parada de ônibus. Como num jogo de esconde-esconde, procuramos pelo amor que está oculto dentro das boates, nas salas de aula, nas platéias dos teatros. Ele certamente está por ali, você quase pode sentir o seu cheiro, precisa apenas descobri-lo e agarrá-lo o mais rápido possível, pois só o amor constrói, só o amor salva, só o amor traz felicidade. Amor não é medicamento. Se você está deprimido, histérico ou ansioso demais, o amor não se aproximará,e, caso o faça vai frustrar suas expectativas, porque o amor quer ser recebido com saúde e leveza,ele não suporta a idéia de ser ingerido de quatro em quatro horas, como antibiótico para combater as bactérias da solidão e da falta de auto-estima. Você já ouviu muitas vezes alguém dizer: “Quando eu menos esperava, quando eu havia desistido de procurar, o amor apareceu”. Claro, o amor não é bobo, quer ser bem tratado, por isso escolhe as pessoas que, antes de tudo, tratam bem de si mesmas. “As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas”. Normal Mailer. Divulguem. Repitam. Convençam-se. O amor, ao contrário do que se pensa, não tem que vir antes de tudo: antes de estabilizar a carreira profissional, antes de viajar pelo mundo, de curtir a vida. Ele não é uma garantia de que, a partir do seu surgimento, tudo o mais dará certo. Queremos o amor como pré-requisito para o sucesso nos outros setores, quando na verdade, o amor espera primeiro você ser feliz para só então surgir diante de você sem máscaras e sem fantasia. É esta a condição. É pegar ou largar. Para quem acha que isso é chantagem, arrisco sair em defesa do amor: ser feliz é uma exigência razoável e não é tarefa tão complicada. Felizes aqueles que aprendem a administrar seus conflitos, que aceitam suas oscilações de humor, que dão o melhor de si e não se autoflagelam por causa dos erros que cometem. Felicidade é serenidade. Não tem nada a ver com piscinas, carros e muito menos com príncipes encantados. O amor é o prêmio para quem relaxa. Martha Medeiros Somebody to Love - Queen:
Eu me acostumei a muita coisa que hoje não faz mais sentido na minha vida e busco com um novo olhar tudo que me aproxima da minha alma. É uma escolha que requer escuta, disciplina, atenção amorosa, apuração dos sentidos. Para chegar até aqui, foi preciso embarcar em algumas canoas furadas. A sede de viver plenamente foi mais forte e me trouxe ao caminho de volta para minha essência. A busca não termina, mas o caminho traz muita alegria.
Eu sei, mas não devia
Marina Colasanti
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
Não quero faca, nem queijo. Quero a fome. Adélia Prado
Um senhor estava completando cem anos de idade e perguntaram-lhe, no dia do aniversário, como ele conseguia estar sempre feliz? Ele respondeu: toda manhã, quando levanto, posso escolher se serei feliz ou infeliz e eu escolho ser feliz.
Por que continuamos escolhendo a infelicidade?
Porque nunca estamos conscientes de que somos nós que fazemos essa escolha? Esse é um problema humano que tem que ser profundamente analisado. Não é uma questão teórica; esse problema diz respeito a todos nós.
É assim que quase todo mundo está agindo: sempre escolhendo o errado. Sempre escolhendo a tristeza, a depressão, o mal estar, a miséria.
Deve haver razões profundas para isso - e há!
A primeira coisa a ser considerada é o modo como os seres humanos são criados.
Desde o nascimento, uma criança perceptiva começa a sentir que, se ela está infeliz, ela provoca simpatia, ela provoca compaixão, todo mundo tenta ser amável, enfim, ela ganha amor. E até mais do que isso: se ela está mal, com algum tipo de sofrimento, ela ganha atenção de todo mundo.
E a atenção funciona como um alimento para o ego. É com a atenção que nós ganhamos energia e nós sentimos que somos alguém. Se todos nos olham, nós nos tornamos importantes. O ego existe no relacionamento.
Desde o nascimento, a criança aprende: pareça miserável e assim obterá simpatia; pareça doente e você merecerá atenção, ou seja, você se tornará importante.
Quando a criança está feliz, ninguém a ouve.
Quando está saudável, ninguém se importa com ela.
Quando está bem, ninguém lhe dá atenção.
Por que haveriam de se importar com ela? Tudo vai bem.
Ao contrário, se ela estiver saudável e começar a agitar, a se expressar, é bem provável que logo receba uma repreensão.
Assim, desde o nascimento, aprenderá a escolher o errado, ou seja, escolher a tristeza, o pessimismo, o lado mais escuro da vida.
Outro fato relacionado a este é que sempre que nós estamos felizes, sempre que estamos alegres, todo mundo nos inveja.
Assim, nós aprendemos a não ficar felizes, a não demonstrar nossa felicidade, a não rir. Quando as pessoas riem, em geral, elas não dão gargalhadas; elas riem até um certo ponto: até o ponto em que não serão levadas a mal, até o ponto em que não provoquem inveja.
Nesta sociedade, se alguém estiver dançando, em êxtase, no meio da rua, no trabalho, todos jurarão que é um louco.
Se alguém se sentir mal, tímido, inseguro, bloqueado, então tudo está bem, ele está mais ou menos ajustado, mais ou menos igual a todo mundo, porque a sociedade é assim mesmo: mais ou menos miserável.
Mas o velho de cem anos tinha razão. Na verdade, pela manhã, todo mundo pode escolher. E não apenas ao amanhecer, a todo o momento podemos fazer uma escolha entre sermos felizes ou infelizes. E estamos habituados a escolher a infelicidade.
A sociedade fez uma grande obra. A educação, a cultura e os agentes culturais - pais, professores, etc. - transformaram criaturas alegres em criaturas infelizes. Toda criança nasce como um leão, toda criança é um ser divino ao nascer, mas acaba morrendo como como um louco, morre como uma ovelha medrosa.
Esta é a chave: a escolha existe, mas você se tornou inconsciente dela. Escolheu o errado tão continuamente que fez disso um hábito e passou a escolher automaticamente.
Abra os olhos: você está escolhendo a todo o momento. Lembre-se: a escolha é sua. Essa conscientização o ajudará. E será mais fácil caminhar para a felicidade.
Lembre-se: A escolha é sua. Não reclame, este drama é seu, ninguém mais é responsável, só você.
(Extraído do livro "Meu caminho, o caminho das nuvens brancas", autor Osho Rajneesh)