quinta-feira, 29 de abril de 2010

Como me tornei estúpido


Fico simplesmente indignada com algumas notícias e aí me canso de remar contra a maré. Vem uma vontade de resistir. Mas me contenho. Melhor desistir. Poupar o humor. 

Já vi de tudo pela mundo das notícias, postagens em murais nas redes sociais. Vejo gente bem informada embarcando na onda da insensatez.
Vejo manifestos e protestos ao estilo Dom Quixote no campo da política, e por aí a fila não acaba.
O momento e a oportunidade merecem um livro à altura da minha indignação.
Então, descubro que não estou sozinha e que alguns inconformados escreveram livros. Ah, que alívio!!!
O livro "Como me tornei estúpido" de Martin Page é um deles.

Antoine, o protagonista do romance, é um rapaz como muitos outros.

Um belo dia, anuncia a seus amigos mais queridos um plano perfeito: investir na idiotice como forma de sobrevivência... Antoine está convencido de que só a estupidez lhe permitirá ser plenamente aceito pela sociedade em que vive.



"Ob-la-di ob-la-da life goes on bra." The Beatles "( Álbum Ob-la-di ob-la-da)

"Hoje, aos vinte e cinco, na expectativa de uma vida mais tranquila, Antoine tomou a decisão de cobrir o cérebro com o manto da estupidez".

Enfim, um livro leve, fácil de ler, enganosamente simples, e rico, repleto de minuciosas citações e piadas ao pé do ouvido. Um livro feito sob medida para todos os Antoines que existem por aí.
Enquanto escrevo, escuto "Obla Di Obla Da" com os Beatles
 
Link, música The Beatles, Obla Di:


Até a próxima!
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sexta-feira, 23 de abril de 2010

A idade de ser feliz




A Idade de Ser Feliz
(Geraldo E.Souza)


Existe somente uma idade para a gente ser feliz
somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-los
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos

Uma só idade para a gente se encantar com a vida
e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo nem culpa de sentir prazer

Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida
à nossa própria imagem e semelhança
e sorrir e cantar e brincar e dançar
e vestir-se com todas as cores
e entregar-se a todos os amores
experimentando a vida em todos os seus sabores
sem preconceito ou pudor

Tempo de entusiasmo e de coragem
em que todo desafio é mais um convite à luta
que a gente enfrenta com toda a disposição de tentar algo novo,
de novo e de novo, e quantas vezes for preciso

Essa idade, tão fugaz na vida da gente,
chama-se presente,
e tem apenas a duração do instante que passa ...
... doce pássaro do aqui e agora

que quando se dá por ele já partiu para nunca mais!


Passarim - Tom Jobim no vídeo abaixo:



segunda-feira, 12 de abril de 2010

Velha infância



Termino a malhação e enquanto aguardo a moça da lanchonete preparar o meu suco, começo a folhear uma revista. Leio a crônica da Danuza Leão “ Um quintal” que me conduz a uma viagem à minha infância, ao quintal da casa onde morávamos eu, meus pais e meus 4 irmãos.
Goiabeiras, mangueiras, abacateiros e cajueiros fizeram parte dessa história. Vivíamos subindo nos galhos das árvores para apanhar frutas e para deixar meus pais malucos com as travessuras que eu e meus irmãos aprontávamos.

Minha mãe conta que nossas roupas eram todas manchadas e não havia sabão que tirasse as nódoas provocadas pelas frutas.

Alguns casos engraçados e quase trágicos também aconteceram. Num belo dia, eu e minha irmã pulamos o muro casa do vizinho. Quando voltamos pro nosso quintal os tijolos soltos do muro cairam todos em nossas cabeças.
Outra vez, num aniversário da família, a criançada toda subiu na goiabeira e a coitadinha não suportou tanto peso em cima dos seus galhos. Tombou pro lado e caímos todos no chão.
Nossos pais assistiram em pânico a cena quando a goiabeira se quebrou.

Tantas boas lembranças guardadas no baú da minha “velha infância”.

Hoje as crianças não brincam mais de apanhar frutas nas árvores. Algumas não conhecem e trocaram os sabores do quintal por hambúrgueres e milk shakes.
Em Brasília ainda podemos resgatar um pouco deste velho e saudável costume: apanhar frutas no pé.
Quantas árvores frutíferas foram plantadas e que cidade abençoada!

Estou aqui ouvindo “Velha Infância” (Tribalistas) e Redescobrir (Elis Regina) e publico abaixo a crônica de Danuza Leão.

Os links das músicas estão abaixo também.




Um quintal
 
Quando uma pessoa começa a melhorar de vida, pensa logo em comprar uma boa casa. E o que é uma boa casa? É preciso um jardim e uma piscina, imaginam os pais. Eles querem para as crianças uma infância saudável, com confortos que nunca tiveram, mas não pensam no principal: um quintal. Um quintal não precisa ser grande, e o chão deve ser de terra batida. Nele deve haver algumas árvores que não pareçam ter sido plantadas, mas sempre existido. Um abacateiro e uma goiabeira, de goiaba vermelha, são fundamentais. No fundo, um galinheiro tosco, com uma porta quebrada, para que as três ou quatro galinhas possam correr quando alguém quiser pegá-las. Nenhum computador levará uma criança ao deslumbramento que ela terá ao encontrar um ovo e segurá-lo, ainda quentinho. É o mistério da vida nas mãos dela, mais absoluto e mais simples do que qualquer livro de filosofia.
Um dia, a cozinheira avisa que vai matar uma galinha para o molho pardo. Os meninos pedem para ver a cena trágica; a mãe não quer, mas a empregada, acostumada, com o facão na mão, facilita. Se a galinha tiver dentro da barriga aquele monte de ovinhos, aí a lição de morte – e de vida – será ainda mais completa. E mais lições serão aprendidas quando alguém sugerir fazer uma peteca com as penas mais duras e algumas palhas de milho. Mas será que alguém sabe do que estou falando?
Voltando: esse quintal deve ser meio abandonado, mas muito limpo; duas vezes por dia a empregada, cantando bem alto, dá uma varrida. É importante também que haja um tanque para lavar o pé de alguma criança quando ela pisar descalça numa porcaria, e um varal com pregadores de roupa de madeira. Nesse lugar, não vai ter horta nem pomar organizado. Em compensação, é bom que exista do outro lado do muro uma enorme mangueira para que se possa praticar o melhor crime do mundo: roubar as frutas do vizinho. Nos fundos de um quintal, deve haver também uma touceira de bananeiras ou bambus e, claro, um adulto dizendo sempre para tomar cuidado, pois ali pode ter uma cobra. Não há infância que se preze sem medo de cobra. Quando as goiabas começam a crescer, fica todo mundo de olho até a primeira delas estar no ponto para ser arrancada e mordida ali mesmo, sem lavar. E que sensação terrível quando se vê o bicho da goiaba se mexendo. Aí, sem que ninguém precise dizer nada, você começa a aprender que a vida é assim: ou se compra uma goiaba bonita, mas sem gosto, ou se espera com paciência ela amadurecer no pé até desfrutar o supremo prazer de dar aquela dentada – com direito a bicho e tudo.
Mas o tempo voa. De repente você se sente só, abre o caderno de telefones e percebe sua pouca afinidade com os nomes que estão lá, que tem vivido uma vida que não tem nada a ver e começa a procurar um sentido para as coisas. Não encontra resposta, claro, mas um dia está no trânsito, vê um terreno baldio, se lembra daquele quintal no qual não pensa há anos e percebe que essa é a lembrança mais importante e mais feliz de sua vida. E passa a olhar o mundo com a superioridade de quem tem um tesouro guardado dentro do peito, mas ninguém sabe.

Danuza Leão é cronista, autora de vários livros, entre os quais Na Sala com Danuza 2 (ARX) e Quase Tudo (Cia. das Letras)

Redescobrir - Elis Regina


segunda-feira, 5 de abril de 2010

Onqotô, proncovô, doncosô


(Imagens: Carol - minha filha - nas trilhas de Diamantina)

Costumo evitar, sempre que posso, confinamentos do tipo cruzeiros marítimos, resorts e todo tipo de passeio que me impeça de descobrir coisas novas em lugares que tem uma história pra contar.
Pode ser que algum dia, quando me cansar de explorar novos lugares, eu mude de idéia. Mas enquanto tiver pique, quero mesmo é "bater perna por aí".
Investiguei minhas memórias e descobri que tenho uma fantasia de juventude mal-resolvida.
Na verdade, queria ter um jipe e as vezes tenho uma vontade mais sofisticada, quem sabe um carro conversível. Mas a vontade original mesmo era ter um jipe...

As recordações vão chegando e me lembro de quando morava em Sete Lagoas e tinhamos um grupo de turismo ecológico chamado Novo Tempo. Fazíamos trilhas para a Serra do Cipó e ficavamos hospedados na Fazenda Monjolos. Os proprietários eram muito agradáveis, Sr. Osvaldo e D. Rosélia, um casal de médicos aposentados curtindo a natureza. Os lugares eram e ainda são, muito lindos, com trilhas e cahoeiras maravilhosas.

A gente sai de Minas, mas Minas não sai da gente não.
E hoje fiquei assim: cansada dos delírios e discursos pós-modernos e com muita vontade curtir minha mineirice em paz...

Acho que Tonhinho Horta definiu bem nessa música abaixo, o espírito de mineiro aventureiro. Manuel, o jipe do Toninho Horta. Manuel, o audaz.

Manuel, o Audaz
Lô Borges/Toninho Horta)

Se já nem sei o meu nome
Se eu já não sei parar
Viajar é mais, eu vejo mais
A rua, luz, estrada, pó
O jipe amarelou

Manuel, o audaz
Manuel, o audaz
Manuel, o audaz
Vamos lá viajar

E no ar livre, corpo livre
Aprender ou mais tentar

Manuel, o audaz
Manuel, o audaz
Iremos tentar
Vamos aprender, vamos lá

Manuel, o audaz
Vamos lá viajar

E no ar livre, corpo livre
Aprender ou mais tentar

Manuel, o audaz
Manuel, o audaz
Iremos tentar
Vamos aprender, vamos lá

Para ouvir, acesse;


quinta-feira, 25 de março de 2010

Mulheres que correm com os lobos



Sensações de vazio, fadiga, medo, depressão, fragilidade, bloqueio e falta de criatividade são sintomas cada vez mais freqüentes entre as mulheres modernas, assoberbadas com o acúmulo de funções na família e na vida profissional. Esse problema, no entanto, não é recente, acredita a psicóloga junguiana Clarissa Pinkola Estés. Ele veio junto com o desenvolvimento de uma cultura que transformou a mulher numa espécie de animal doméstico.
Através da interpretação de 19 lendas e histórias antigas, entre elas as de Barba-Azul, Patinho Feio, Sapatinhos Vermelhos e La Llorona, a autora identifica o arquétipo da Mulher Selvagem ou a essência da alma feminina, sua psique instintiva mais profunda. E propõe o resgate desse passado longínquo, como forma de atingir a verdadeira libertação.
Técnicas da psicologia junguiana e algumas formas de expressão artísticas ligadas ao corpo podem ajudar na tarefa, mas a compreensão da natureza dessa mulher selvagem, com todas as características de uma loba, é uma prática para ser exercida ao longo de toda a vida.



A autora, através da interpretação de 19 lendas e histórias antigas, identifica o arquétipo da Mulher Selvagem ou a essência da alma feminina, sua psique instintiva mais profunda.

"Tudo o que buscamos, também nos busca e, se ficamos quietos, o que buscamos nos encontrará. É algo que leva muito tempo esperando por nós. Enquanto não chegue, nada faças. Descansa. Já tu verás o que acontece enquanto isto.”

Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente.
Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas.
Clarissa Pinkoa Estés,Ph.D

"Agir como sombra significa ter um toque tão suave, um passo tão leve, que torne possível uma movimentação livre pela floresta, observando sem ser observada. A loba segue como sombra qualquer um ou qualquer coisa que passe pelo seu território. É sua maneira de colher informações. É o equivalente de manifestar-se, transformar-se em algo com fumaça para voltar a manifestar-se."
(Capítulo 15: Agir como sombra)


domingo, 7 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher





                                           (Imagem: Rosenthal - Buenos Aires)

Recebi esta linda mensagem por email e publico aqui como homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

A mensagem é do site: 
http://universodalma.wordpress.com


8 de março de 2010
Dia Internacional da Mulher
Seja exigente na qualidade de amor, atenção e carinho que você quer para você. Veja este clip da Adriana Calcanhoto cantando Gatinha Manhosa, de Roberto e Erasmo Carlos. 
A idéia é dar atenção ao que é visto, mais do que ouvido e assim  refletir sobre a qualidade da forma com que queremos demonstrar nosso amor, nosso afeto para alguém.
A todas nós mulheres e a todos que expressam sem resistências seu  feminino, todo o amor, atenção e carinho do mundo, SEMPRE





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sábado, 6 de março de 2010

A Alma Imoral

 
A Alma Imoral

Ler um texto da Martha Medeiros hoje foi um presente.
Se chama "Sensibilidade demais" e resumo com a seguinte frase:
"Sensibilidade demais faz a vida virar um dramalhão mexicano".  
Adorei isto!!

Às vezes tudo o que precisamos é de um pouquinho de frieza, loucura e rebeldia.

Quando falo de rebeldia, relembro passagens do livro " A Alma Imoral".  
O livro do rabino - dífícil acreditar que o autor seja um rabino - Nilton Bonder foi adaptado para o teatro e a peça ganhou vários prêmios.
Assisti a peça a alguns anos atrás e percebi o incômodo da platéia no momento que a atriz se desnuda e relata as transgressões dos povos cristãos, relatadas na bíblia.

 Reconstruindo os significados de "corpo" e "alma", Nilton Bonder contrapõe o conceito de alma imoral do texto bíblico ao animal moral da psicologia evolucionista.
 O corpo que preserva e a alma que trai são responsáveis pelo mais importante processo da vida - a reprodução.

Conceitos densos, profundos e difíceis de definir são tratados no livro: tradição, traição, necessidade de transgredir, traição judaico-cristã, perversidade, mediocridade.

Ainda do livro:


" Há um olhar que sabe discernir o certo do errado
             e o errado do certo.

  Há um olhar que enxerga quando a obediência significa desrespeito
             e a desobediência representa respeito.

  Há um olhar que reconhece os curtos caminhos
            longos e os longos caminhos curtos.

  Há um olhar que desnuda, que não hesita em afirmar
  que existem fidelidades perversas e traições de grande lealdade.

  Este é o olhar da alma."


 

sexta-feira, 5 de março de 2010

All Woman

 
Pelo Dia Internacional da Mulher.

Bela interpretação de Lisa Stansfield:

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All Woman
Lisa Stansfield
(L. Stansfield/I. Devaney/A. Morris)

He's home again from another day
She smiles at him as he walks through the door
She wonders if it will be okay
It's hard for her when he doesn't respond

He says babe you look a mess
You look dowdy in that dress
It's just not like it used to be
Then she says...

Chorus:
I may not be a lady
But I'm all woman
From monday to sunday I work harder than you know
I'm no classy lady
But I'm all woman
And this woman needs a little love to make her strong
You're not the only one

She stands there and lets the tears flow
Tears that she's been holding back so long
She wonders where did all the loving go
The love they used to share when they were strong

She says yes I look a mess
But I don't love any less
I thought you always thought enough of me to always be impressed

Chorus

He holds her and hangs his head in shame
He doesn't see her like he used to do
He's too wrapped up in working for his pay
He hasn't seen the pain he's put her through

Attention that he paid
Just vanished in the haze
He remembers how it used to be
When he used to say

You'll always be a lady
'Cos you're all woman
From monday to sunday I love you much more than you know
You're a classy lady
'Cos you're all woman
This woman needs a loving man to keep her warm

You're the only one
You're a classy lady
'Cos you're all woman

So sweet the love that used to be
So sweet the love that used to be

We can be sweet again...

segunda-feira, 1 de março de 2010

La Forza Della Vita

( Aquarela feita por mim a alguns anos atrás - em Sete Lagoas MG)

Os últimos acontecimentos e catástrofes: terremoto no Haiti, tsunami no Chile, tempestades no Peru, França, enchentes no Brasil me deixaram confusa e com muita incerteza.


Assim caminha a humanidade?
Não encontro respostas.
Talvez não existam e apenas sirvam prá despertar sentimentos de compaixão e respeito ao planeta em que vivemos.


A sensação é de inquietação e um enorme vazio .
Daí, prefiro me recorrer a poetas e compositores cuja sensibilidade foi descrita em versos e belas canções.
Uma delas foi interpretada por Renato Russo ( talento de Brasília) no álbum "Equilibrio Distante": La Forza Della Vita. 


La Forza Della Vita
Compositor(es): P. Vallesi / Dati
Gravação: Renato Russo (álbum Equilíbrio Distante)


Anche quando ci buttiamo via
Per rabbia o per vigliaccheria
Per un amore inconsolabile
Anche quando in casa è el posto più invisibile
E piangi e non lo sai che cosa vuoi

Credi c'è una forza in noi amore mio
Pio forte dello scintillio
Di questo mondo pazzo e inutile
È più forte di una morte incomprensibile
E di questa nostalgia che non ci lascia Mai.

Quando toccherai il fondo con le dita
A um tratto sentirai la forza della vita
Che ti transcinerà con se
Amore non lo sai
Vedrai una via d'uscita c'è.

Anche quando mangi per dolore
E nel silenzio senti il cuore
Come in rumore insopportabile
E non vuoi più alzarti e il mondo è irraggiungibile
E anche quando la speranza oramai non basterà.

Cè una volontà che questa morte sfida
È la nostra dignità la forza della vita
Che non si chiede mai cos'è l'eternità
Anche se c'è chi la offende
O chi le vende l'aldilà.

Quando sentirai che afferra le tue dita
La riconoscerai la forza della vita
Che ti transcinerà con se
Non lasciarti andare mai
Non lasciarti senza te

Anche dentro alle prigioni
Della nostra ipocrisia
Anche in fondo agli ospedali
Nella nuova malattia
C'è una forza che ti guarda e che riconoscerai
È la forza più testarda che c'è in noi
Che sogna e non si arrende mai

È la volontà più fragile e infinita
La nostra dignità
{Amore mio} è la forza della vita

Che non si chiede mai
Cos'è l'eternità
Ma che lotta tutti i giorni insieme a noi
Finchè non finirá

Quando sentirai {La forza è dentro noi}
che afferra le tue dita {Amore mio prima o poi}
La riconoscerai {La sentirai}
La forza della vita

Che ti transcinerà con se
Che sussurra intenerita:
"Guarda ancora quanta vita c'è!"

Até quando nos jogamos fora
Por raiva ou covardia
Por um amor inconsolável
Tambem quando em casa 

É o pior lugar para se viver
E voce chora e não sabe mais o que quer
Acredite meu amor que há uma força em nós
Mais forte que o raio
Que esse mundo louco e inútil
É mais forte 

Que uma morte incompreensível
Que essa saudade
Que nunca nos deixa.
Quando voce tocar o fundo com os dedos
Você vai sentir a força da vida
Que vai te levar com ela
Amor voce não sabe
Mas vai ver que tem uma saída.
Também quando você come com dor
E no silêncio ouve o coração
Como um rumor insuportável
E voce não quer mais se levantar
E o mundo é inalcançável
E também quando a esperança
Não te basta mais.
Há uma vontade que desafia esta morte
É a nossa dignidade,

a força da vida
Que nunca se pergunta o que é a eternidade
Mesmo que a ofendam
Que a vendam do outro lado.
Quando voce sentir que ela te segura pelos dedos
Você reconhecerá a força da vida
Que te levará consigo
Não te deixa ir embora
Não me deixa sem você.
Também dentro das prisões
Da nossa hipocrisia
Também no fundo dos hospitais
Na nova doença
Há uma força que cuida de você
E que você vai reconhecer
É a força mais teimosa que temos em nós
Que sonha e nunca se rende
É a vontade
Mais frágil e infinita
A nossa dignidade
A força da vida.
É a força da vida meu amor
Que nunca se pergunta mais
O que é a eternidade
Mas que luta todos os dias junto a nós
Para não acabar
Quando voce sentir
Que aperta o seus dedos
A reconhecerá
A força da vida
A força esta dentro de nós
Meu amor antes ou depois você vai senti-la
A força da vida
Que te levará com ela
Que sussurra macio:
" Olha, quanta vida tem ainda"




...
   

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Do you wanna dance?


Gostei muito do artigo que Stephen Kanitz escreveu sobre o costume de dançar ao longo dos tempos.

Também li "Domínio do movimento" de Rudolf Laban,  que traz algumas práticas de expressões corporais e faz um belo estudo sobre a arte do movimento.

A dança está presente desde os templos bíblicos.  Quando Salomé  apresentou , a  pedido do rei Herodes, a "dança dos sete véus", ele ficou extasiado e cumpriu a promessa de atender a qualquer pedido da dançarina, ao entregar a cabeça de João Batista.

Alguns costumes e crenças se perderam, outros se adaptaram  e hoje  não é mais comum  que as mulheres dancem para seus homens.
Aqui no Ocidente, esse tipo de dança é considerada como submissão ou então  tem conotação promíscua.  Os rituais de dança em grupo e aos pares se  descaracterizou, se transformou em funk e outros ritmos e estilos.

A beleza do movimento, da expressão, da sedução e da feminilidade se perdeu e com isso perdemos convivência, alegria e o contato despretensioso e saudável com o outro.

Meus pais se conheceram nos salões de festas e gostavam muito dos bailes. Eram frequentadores assíduos e talvez por essa afinidade que os uniu estejam casados até hoje. Lendo o artigo abaixo consegui voltar no tempo e entender melhor os costumes da época em
que  se conheceram.

A escolha do seu par
Stephen Kanitz

Há trinta anos, os adolescentes encontravam o sexo oposto em bailes de salão organizados por clubes, igrejas ou pais responsáveis preocupados com o sucesso reprodutivo de seus rebentos.

Na dança de salão o homem tem uma série de obrigações, como cuidar da mulher, planejar o rumo, variar os passos, segurar com firmeza e orientar delicadamente o corpo de uma mulher. Homens levam três vezes mais tempo para aprender a dançar do que mulheres. Não que eles sejam menos inteligentes, mas porque têm muito mais funções a executar. Essa sobrecarga em cima do homem permite à mulher avaliar rapidamente a inteligência do seu par, a sua capacidade de planejamento, a sua reação em situações de stress. A mulher só precisa acompanhá-lo. Ela pode dedicar seu tempo exclusivamente à tarefa de avaliação do homem.

Uma mulher precisa de muito mais informações do que um homem para se apaixonar, e a dança permitia a ela avaliar o homem na delicadeza do trato, na firmeza da condução, no carinho do toque, no companheirismo e no significado que ele dava ao seu par. Ela podia analisar como o homem lidava com o fracasso, quando inadvertidamente dava uma pisada no seu pé. Podia ver como ele se desculpava, se é que se desculpava, ou se era do tipo que culpava os outros.

Essa convenção social de antigamente permitia ao sexo feminino avaliar numa única noite vinte rapazes entre os 500 presentes num grande baile. As mulheres faziam um verdadeiro teste psicológico, físico e social de um futuro marido e obtinham o que poucos testes psicológicos revelam. Em poucos minutos conseguiam ter uma primeira noção de inteligência, criatividade, coordenação, tato, carinho, cooperação, paciência, perseverança e liderança de um futuro par.

Infelizmente, perdemos esse costume porque se começou a considerar a dança de salão uma submissão da mulher ao poder do homem, porque era o homem quem convidava e conduzia a mulher.

Criaram o disco dancing, em que homem e mulher dançam separados, o homem não mais conduz nem sequer toca no corpo da mulher. O som é tão elevado que nem dá para conversar, os usuais 130 decibéis nem permitem algum tipo de interação entre os sexos.

Por isso, os jovens criaram o costume de "ficar", o que permite a uma garota conhecer, pelo menos, um homem por noite sem compromisso, em vez de conhecer vinte rapazes numa noite, também sem compromissos maiores.

Pior: hoje o primeiro contato de fato de um rapaz com o corpo de uma mulher é no ato sexual, e no início é um desastre. Acabam fazendo sexo mecanicamente em vez de romanticamente como a extensão natural de um tango ou bolero. Grandes dançarinos são grandes amantes, e não é por coincidência que mulheres adoram homens que realmente sabem dançar e se apaixonam facilmente por eles.

Masculinizamos as mulheres no disco dancing em vez de tornar os homens mais sensíveis, carinhosos e preocupados com o trato do corpo da mulher. Não é por acaso que aumentou a violência no mundo, especialmente a violência contra as mulheres. Não é à toa que perdemos o romantismo, o companheirismo e a cooperação entre os sexos.

Hoje, uma garota ou um rapaz tem de escolher o seu par num grupo muito restrito de pretendentes, e com pouca informação de ambas as partes, ao contrário de antigamente.

Eu não acredito que homens virem monstros e mulheres virem megeras depois de casados. As pessoas mudam muito pouco ao longo da vida, na realidade elas continuam a ser o que eram antes de se casar. Você é que não percebeu, ou não soube avaliar, porque perdemos os mecanismos de antigamente de seleção a partir de um grupo enorme de possíveis candidatos.

Fico feliz ao notar a volta da dança de salão, dos cursos de forró, tango e bolero, em que novamente os dois sexos dançam juntos, colados e em harmonia. Entre o olhar interessado e o "ficar" descompromissado, eliminamos infelizmente uma importante etapa social que era dançar, costume de todos os povos desde o início dos tempos.

Se você for mãe de um filho, ajude a reintroduzir a dança de salão nos clubes, nas festas e nas igrejas, para que homens aprendam a lidar com carinho com o corpo de uma mulher.

Se você for mãe de uma filha, devolva a ela a oportunidade que seus pais lhe deram, em vez de deixar sua filha surda, casada com um brutamontes, confuso e insensível idiota.



Do you wanna dance?



Música: Do you wanna dance - Jonhn River



Valsinha- Chico Buarque