Grande parte da minha infância aconteceu perto de uma estação de trem-de-ferro.
Me lembro do barulho das máquinas, dos apitos do maquinista e do vai-vém dos vagões.
Meus avós moravam perto da estação ferroviária de Sete Lagoas e quando íamos visitá-los nos fins-de-semana ou nas férias, acompanhávamos a rotina barulhenta que fazia tremer o chão.
Ouvíamos estórias, algumas engraçadas, outras trágicas.
Meu avó alertava para que não brincássemos perto dos vagões, dizia que era perigoso e que corríamos risco de nos machucar. Eu e meus irmãos obedecíamos e ficávamos na janela observando o movimento.
Minha cidade natal cresceu um pouco, meus avós fizeram a última viagem, a estação ferroviária foi desativada e a rua onde eles moravam se transformou numa moderna e movimentada avenida.
Sempre que vou a Sete Lagoas e passo pela avenida fico pensando em como foi tudo tão diferente a algumas décadas atrás.
Muita coisa mudou, mas ficou a saudade.
Na plataforma daquela estação ficaram os sonhos, as ilusões e as alegrias da minha infância.
“Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica,
mas atravessa a noite, a madrugada, o dia,
atravessou minha vida,
virou só sentimento.”
(Adélia Prado)
(Adélia Prado)
Ouço Encontros e Despedidas, de Milton Nascimento/Fernando Brant: